sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

E 2009 acaba em grande estilo



Se com «Horchata» os Vampire Weekend pareciam estar a acusar um enfraquecimento criativo e a anunciar uma crise nervosa nos fãs, «Cousins» vem repôr os níveis de confiança no quarteto mais beto da música indie mundial (e não é «cousins» um tema super chique?) Absolutamente arrebatador: Casablancas, chega para lá.

(Descoberto, muito a propósito, pela minha prima.)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

O sistema

Isto era tão óbvio que até o Carvalhal chegou lá.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Os anos 90!



Apesar da direcção (o termo abrasileirado sempre me pareceu mais adequado) impecável de Soderbergh, do desempenho notável de Matt Damon (todo o casting foi bastante feliz), e do argumento escrito com a subtileza que se exigia (a cadência regular da sequência dos acontecimentos nunca anuncia o «fim da linha» da mentira), The Informant! acaba por se colar à nossa memória devido à fabulosa recriação da época de todos os equívocos estéticos que ficou conhecida como «os anos 90». Deus me livre de um dia abrir a caixa das fotos da adolescência, e Deus vos livre de um dia a minha geração fazer ao mundo aquilo que a geração dos anos 80 está a fazer.

Baixa

Morei na Baixa de Lisboa durante pouco mais de três anos. Foram, sem qualquer sombra de dúvida, os melhores três anos da minha idade adulta. Mas saio com uma profunda mágoa: durante estes três anos, e apesar de cruzar aquelas ruas diariamente, nunca fui abordado pelos retalhistas de substâncias fumáveis da Rua Augusta (que, vá lá saber-se porquê, parecem vir todos do Magrebe). Nem uma única vez. Uma coisa é nunca ter fumado uma ganza na vida - pormenor biográfico com o qual convivo bem -, outra totalmente distinta é ter o aspecto de quem nunca fumou uma ganza na vida. Só por causa disto, saio da Baixa a um passo de me tornar xenófobo.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Contra o Estado

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

E nem estou engripado nem nada

Escrevi, em post abaixo, «(...) é a prova como há gajos (...)». Este blogue anda uma merda, e ninguém diz nada.

A resposta é simples

«Pilar del Río, uma extraordinária escritora transgressora e rebelde, que afinal abdicou da carreira para se dedicar ao esposo, pergunta hoje, na Pública, como é possível haver mulheres que continuam a sentir fascinação pela figura do pai. É a figura do impostor, o depositário da autoridade divina e social. A resposta é simples. Há mulheres que tiveram um pai bom, carinhoso e protector, pelo que é natural que sintam fascínio por tal figura.
Por que motivo alguém faz regra da sua má experiência individual e a partir daí pinta o mundo com cores de raiva e azedume? Porque ter-se sido mal amada torna insuportável a boa experiência dos outros. Daí a exaurir teses psicossociais de pacotilha é um passo. Pequeno e mais frequente do que se julga.»

Filipe Nunes Vicente

domingo, 15 de Novembro de 2009

Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes



(Descoberto pelo Eduardo)

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

The Strokes (1998-2009)



Para quem tem nos Strokes a bóia de salvação para a idade adulta, assistir deste modo tão evidente à destruição das condições materiais e espirituais para a sua continuação em actividade causa a maior das consternações. E isto não é fatalismo, é uma constatação que sobrevive à informação posta a circular de que os Strokes se irão reunir em janeiro para dar início às gravações do quarto álbum. Mas qual quarto álbum, Julian, pergunto-te eu? A verdade é que os sucessores de Is This It (Room on Fire e First Impressions of Earth) são o suficiente para afastar qualquer suspeita sobre a solidez do seu sucesso (a questão do «difícil segundo álbum» foi resolvida à nascença), mas não acrescentaram nenhum ingrediente à receita. Não vem daí mal nenhum ao mundo: a constante «reinvenção» é uma exigência cretina. Os Strokes faziam o que faziam e faziam-no muitíssimo bem. Os álbuns a solo que entretanto foram saindo de Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti (Little Joy) mostraram que havia mais música nos membros dos Strokes mas que não era material para a banda. Era outra coisa. Phrazes for the Young não partilha dessa distância em relação à nave-mãe: o álbum é exactamente aquilo que esperaríamos dos Strokes caso estes decidissem tentar fazer «outra coisa». A estrutura das canções é mais arrojada e a instrumentação muito mais diversificada. Se os Strokes são a reinvenção dos anos 70, Phrazes for the Young alarga o espectro temporal da revisitação para a década seguinte. Nada disto seria tão assustadoramente ameaçador para a sobrevivência dos Strokes não fosse um pormenor completamente jaw-dropping: Julian Casablancas toca every single instrument do álbum. Tudo, pá, tudo: ele foi ali ao quarto do lado e fez isto! É verdade, é verdade: em entrevista recente, Casablancas confessa que só gravou este álbum porque «não tinha nada que fazer» durante a pausa dos Strokes. Isto é tristíssimo para quem tem uma banda; isto é tristíssimo para mim, é tristíssimo para o Nick Valensi, o Albert Hammond Jr, e para o Fabrizio Moretti. Isto é tristíssimo para a humanidade: é a prova como há gajos que são tão superiores aos outros ao ponto de tornar os outros dispensáveis. Os Strokes, tal como os conhecemos, acabaram. Se é para voltar a estúdio em janeiro, há ali muito trabalho a fazer, muito mesmo.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Pedro Lomba no Público

O Pedro Lomba passa a assinar uma coluna no Público às terças e quintas. Para já, começa muito bem.

2009

Dois mil e nove ficará para a história como o ano em que eu vivia na Baixa, trabalhava no Campo Pequeno, e não tinha filhos.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

E um tema de genérico com orquestra, e assim



É impossível não gostar de mini-séries de época; é impossível não gostar de produções da HBO; é impossível não gostar de bio-pics de presidentes dos EUA (tirando o «W.»); é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva o Paul Giamatti; é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva a Laura Linney (e aqui será mesmo «qualquer coisa»); até é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva o Tom Wilkinson. Ou seja, depois de dois episódios («partes»), não estou nada surpreendido com este «John Adams».

Enke



Guardo duas memórias de Robert Enke: que ele foi um dos melhores guarda-redes que passou pelo Benfica depois de Preud'homme (o único que merece ser mencionado na mesma frase que «Preud'homme»), e a sua rapidez a aprender português, que o Moreira corrobora aqui. Para além disso, parece que era um «bom homem». Foi guarda-redes do Benfica entre 1999-2002, mas era daqueles que esperávamos um dia que voltasse.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Sexta-feira, Bairro Alto

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Aviso

O João fechou a loja no Khiasma e abriu estabelecimento no pARALLAX e no as invasões bárbaras.

Bárbara Reis

O Público tem um novo director. Uma nova directora, Bárbara Reis. Como isto ainda não é a Suécia, é especialmente louvável que estejamos na presença de uma mulher. A tarefa de suceder a José Manuel Fernandes, todos sabemos, é exactamente essa: suceder a José Manuel Fernandes, que, justamente ou não, marcou o Público como oposição ao poder político (sobretudo ao poder socialista). Quem queria essa oposição, já está a fazer de José Manuel Fernandes um mártir; quem é de esquerda, sente-se no último dia mandato de George W. Bush. O primeiro impacto desta nova direcção foi desanimador: vinham para purgar o Público do seu «excesso de carga ideológica» e os editoriais deixariam de ser assinados. Parecia que queriam mudar de opinião mas sem assumir a responsabilidade por ela. A pergunta «Quem é Bárbara Reis» ganhou ainda mais força. Pois bem, Bárbara Reis, sentindo essa inquietação da vox populi (enfim, das 92 pessoas que ainda lêem jornais em Portugal), foi ao Carlos Vaz Marques falar de si. É uma entrevista notável. Bárbara Reis tem um tom de voz que transborda confiança (há quem faça isto com as caligrafias, eu faço com os tons de voz) e uma atitude surpreendente. Percebemos que Bárbara Reis não tem um especial interesse pela política nem pela necessidade de opinião. Só se entusiasma verdadeiramente quando fala do jornalismo que viu nos EUA, do rigor obsessivo pelo fact-checking, pela pura qualidade do trabalho. Fala na Somália e de Nova Iorque de igual modo: só interessa o que daí retirou em termos jornalísticos. Tudo isto dito com uma grande simplicidade e descomprometimento de quem assume que o seu maior desafio é «ser feliz» (tanto pessoal como profissionalmente). Não sabemos se esta equidistância política que Bárbara Reis anuncia é possível e até honesta (Bárbara Reis pode ser um perigoso lobo em pele de cordeiro), mas eu já expliquei que vou lá pelo tom de voz. Bárbara Reis é a nova directora do Público: é mulher, está grávida, e quer «ser feliz». Eu estou convencido. Resta saber se a redação também estará.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Favas

As tascas portuguesas têm vindo a negar ao Luís M. Jorge as favas que ele procura. Por causa disso, o Luís M. Jorge escreveu isto. Espero que as tascas portuguesas continuem no bom caminho.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Deixem as raízes sossegadas

A última edição da revista Sábado - ou seria a penúltima, ou ante-penúltima?, há um sector da minha casa-de-banho que tem um comportamento muito semelhante ao das salas de espera de consultório - trazia uma reportagem sobre um site que a Gwyneth Paltrow criou para ensinar as pessoas a viver como ela. O site, sem surpresa, versa sobre o estilo de vida «saudável», sobre sumos e raízes impronunciáveis, sobre alongamentos e agachamentos de todas as espécies, e até, ao que parece, sobre filmes e livros que a boa Gwyneth recomenda. A jornalista - não me recordo do nome - escrevia uma peça bem humorada, sarcástica q.b., dando continuidade à chacota de que foi alvo Paltrow nos jornais ingleses. Eu também queria fazer chacota de Gwyneth Paltrow, mas não é só o óbvio imperativo estético que me impede: é o facto da newsletter do site contar já com 150 mil assinantes. Perante isto, parece-me que o alvo da troça está errado. Tudo bem que é mais catártico atirar tomates aos «ricos e poderosos», mas aquelas 150 mil almas é que me motivariam o arremesso das peças de fruta (o tomate é um fruto, nunca se esqueçam disto) e das raízes recomendadas no site da actriz. Que haja quem queira viver como uma actriz famosa não surpreende quem vê o Ídolos religiosamente (qual é o problema?, se for preciso levamos isto lá para fora) porque essa pessoa já sabe que o ser humano é um abismo e que a sanidade mental é um bem escasso, mas não deixa de ser objecto de reflexão. Eu estava convencido de que o «glamour» das estrelas nascia devido à nossa inveja - ainda que saudável - perante aquilo que elas têm, e não por aquilo que elas têm de fazer para terem o que têm. É normal que as pessoas queiram ser a Gwyneth Paltrow, mas eu pressuporia que as pessoas quisessem ser a Gwyneth Paltrow devido ao dinheiro que ela tem e às coisas que ela pode fazer por causa desse dinheiro, e não devido aos sacrifícios a que ela tem de se submeter para poder continuar a cobrar o que cobra por filme: fazer exercício físico desenfreado, comer raízes, estar casada com o Chris Martin. Voltando ao Ídolos, eu percebo que as mulheres queiram ser a Cláudia Vieira (e agradeço o esforço), mas perceber que haja quem ache que é por ir 2 horas por dia ao ginásio e deixar de comer carne de vaca e de porco que fica com o aspecto da Cláudia Vieira, deixa-me exasperado. Meus amigos, não é Gwyneth Paltrow quem quer, muito menos Cláudia Vieira: ou se nasce como elas nasceram, ou então a vossa meta é a Floribela. E se é para isso, mais vale deixar as raízes sossegadas.

domingo, 1 de Novembro de 2009

António Sérgio (1950-2009)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Uuuu uuu uuuuu uuuuuuu



Elogiar os Oioai em público requer aquele tipo de confiança necessária ao heterossexual para comentar a beleza masculina alheia: ou estamos muito seguros de nós, ou caímos no ridículo. E como eu não estou nada seguro de mim mas já perdi o medo de cair no ridículo (comecei a escrever em blogues numa época em que o Pedro Mexia ainda não sabia pôr imagens no blogue), vou elogiar os Oioai. Reparem, a música comercial portuguesa é como o governo de Santana Lopes: está permanentemente na incubadora à espera de ser pontapeada. Falo da música comercial, a música pop que não aspira a ficar na história e que só quer divertir-se enquanto pode. Música como os Coldplay, que pode perfeitamente passar na telenovela e estar simultaneamente na estante lá de casa sem que isso nos faça perder amigos. Eu não gosto dos Coldplay, eu detesto os Coldplay, eu atropelaria o Chris Martin à primeira oportunidade, mas que isto não enfraqueça a força argumentativa da minha comparação. Os Oioai (enfim, eu bem sei o difícil que é dar o nome a uma banda, acreditem) fizeram um primeiro álbum muito bom. Muito bom no capítulo da gestão de expectativas: nunca ninguém falou no «difícil» segundo álbum. E o segundo aí está, apresentado por este Ponto Fraco que acabei de ouvir na Radar a caminho do trabalho porque hoje é sexta-feira que se lixe a pegada ecológica. Eu já tinha ouvido o Ponto Fraco duas ou três vezes e confesso que lhe reconhecia apenas alguns méritos ao nível da produção. Mas hoje, no meu superlativo sistema de som automóvel (tenho um rádio a cassetes), a coisa bateu de outra maneira. Subi o volume, fechei as janelas ao nevoeiro, e concentrei-me na canção. É um canção do caralho. É uma canção melhor do que 90% das canções dos Coldplay. Está muito bem feita, até aqueles uuuu uu uuu uu u uuuuus que parecem extraídos de uma canção dos Arcade Fire qualquer. Os Oioai (Pedro Puppe) nunca deram entrevistas para enquadrar aquilo que fazem. São honestos: fazem música para sacar gajas, não tenho a menor dúvida disso. E este Ponto Fraco deve estar a ser um grande ponto forte a favor de Puppe & Ca. Os Oioai são a melhor banda do mundo? Não são: são assim uma espécie de Toranja on Prozac. Desejo as maiores felicidades aos Oioai.